PARA A ESCOLA
No velho casarão do convento é que era a aula. Aula de primeiras letras. A porta lá estava, amarela com fortes pinceladas vermelhas, ao cima da grande escadaria de pedra, tão suave que era um regalo subi-la. Obra de frades, os senhores calculam... Já tinha principiado a aula quando a Helena entrou comigo pela mão. Fez-se um silêncio nas bancadas, onde os rapazes mastigavam as suas lições e a sua tabuada, num ritmo cadenciado e monótono, cantarolando. E ouviu-se então a voz da Helena dizer para o senhor professor, um de óculos e cara rapada, falripas brancas por baixo do lenço vermelho, atado em nó sobre a testa:
--Muito bons-dias. Lá de casa mandam dizer que aqui está a encomendinha.
Oh! oh! a encomendinha era eu, que ia pela primeira vez à escola. Ali estava a encomendinha!
--Está bem, que fica entregue. E lá em casa como vão?